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História da Produção Integrada de Frutas no Brasil

Rosa Maria Valdebenito Sanhueza

Histórico

É um sistema moderno de produção de frutas e de outros produtos agropecuários que, por ser submetido a controles permanentes, conduz a obtenção de vegetais com características de segurança para o consumidor, para o produtor e os trabalhadores rurais e, ainda assegura a preservação do meio ambiente.

O conceito de Produção Integrada foi criado na Europa na década de 70. Nesta época, manifestaram-se nos círculos científicos preocupações quanto ao alcance restrito do manejo integrado de pragas, como estratégia utilizada para racionalização e redução de uso de agroquímicos e de sustentabilidade da atividade frutícola. Nessa ocasião, visualizou-se a necessidade de adequar todos os componentes do sistema produtivo para diminuir a demanda de uso dos agroquímicos de maior risco, preservando a produção e a produtividade da cultura para se obter produtos de alta qualidade de consumo. Como conseqüência dessa proposta, criaram-se grupos de trabalho, com especialistas de diferentes países, visando obter a definição, alcance e organização dos Sistemas de Produção Integrada de Frutas, o primeiro alvo desses estudos. Assim, em 1989, estabeleceu-se um regulamento e este foi aceito e reconhecido pela Organização Internacional de Luta Biológica de pragas (IOBC).

O Sistema de Produção Integrada tem características básicas que são apresentadas a seguir:

Define quais as práticas que devem ser feitas em cada cultura em um documento que constitui as Normas para a Produção Integrada.

Estabelece entre os agroquímicos registrados, quais são permitidos, quais têm restrições e quais são proibidos. Estabelece também quando recomendados, a dose e situação na qual se permite seu uso.

As condições nas quais se obtém frutas de Produção Integrada são definidas pelo Ministério de Agricultura e instituições reguladoras de qualidade, que devem credenciar entidades privadas ou públicas, não vinculadas aos produtores, para se constituir como Certificadoras. Estas empresas serão as que atuam diretamente no pomar fiscalizando o cumprimento das Normas da cultura.

O produtor e/ou o técnico responsável da propriedade agrícola, que voluntariamente decide produzir utilizando este sistema, deve assinar um contrato com uma empresa certificadora, comprometendo-se a receber e aprovar treinamentos periódicos, preencher rotineiramente registros de toda as atividades desenvolvidas na área de produção, aceitar o controle pela Certificadora do cumprimento das normas e fornecer amostras para análises de resíduos de agroquímicos, sempre que requerido.

No fim de cada safra, o processo de cada produtor é analisado e qualquer desvio das normas significa o desligamento do sistema. Os produtores com cumprimento total das Normas, documentado pelos cadernos de campo, visitas de fiscalização e com resultados de análises satisfatórias, receberão a autorização para comercializar os produtos controlados nessa safra com o selo de Produção Integrada.

Momento Atual

Todos os principais países produtores da Europa, a Austrália, a Nova Zelândia e a África do Sul têm o sistema de Produção Integrada em funcionamento, especialmente para maçãs, para outras frutas de clima temperado e para alguns produtos derivados tais como o vinho. Esta estratégia de produção também está sendo implementada para hortaliças e cereais.

A segurança alimentar e a redução de riscos ambientais e para o homem que a Produção Integrada outorga, vem fazendo que os governos de diferentes países incentivem esse sistema e que o setor de comercialização privilegie a compra desses produtos. Recentemente, grupos de supermercados europeus tem manifestado a intenção de dar preferência para compra de fruta proveniente da Produção Integrada para ser vendida nos seus estabelecimentos.

Maçãs no Cone Sul

Todos os países produtores de maçãs do Cone Sul têm programas de produção Integrada de maçãs e , em alguns deles há também trabalhos com outras fruteiras de clima temperado. Em geral, as Instituições de pesquisa tem impulsionado, organizado e contribuído na definição e implementação da Produção Integrada. Na Argentina, a região de Rio Negro, com apoio do INTA e da GTZ - Agência de Cooperação Alemã, foi a primeira região a desenvolver Produção Integrada de maçãs e, há três anos iniciou a comercialização de fruta com selo desse sistema de produção. No Chile e Uruguai, o sistema está ainda em fase de pesquisa e implementação, contando nesses casos com apoio maciço de exportadores e do setor público.

É importante ressaltar que a introdução da Produção Integrada nos países exportadores é uma questão crítica para manutenção da competitividade no mercado Internacional e, portanto, um desafio regional.

Maçãs no Brasil

Os primeiros trabalhos foram iniciados na Embrapa Uva e Vinho, em 1996, através de uma discussão interna sobre as abordagens mais adequadas a serem seguidas para dar condições para a implementação do sistema. Posteriormente, a informação foi discutida com técnicos de pesquisa e assistência técnica publica e privada , vinculados diretamente à produção de maçãs e, posteriormente, apresentada para discussão e avaliação com os representantes dos produtores.

Em 1997, iniciaram-se as reuniões para definição das normas para a Produção Integrada de Maçãs no Brasil, documento publicado em 1998, que teve como base os conceitos estabelecidos nas Normas européias para Produção Integrada e que acumulou no seu conteúdo, os conhecimentos básicos de produção de maçãs e os gerados pela pesquisa no país.

No inicio de 1998, em um esforço conjunto de todo o setor envolvido com a macieira, a Embrapa Uva e Vinho, EPAGRI, UFRGS, Instituto Biológico de São Paulo e ABPM, definiram-se cinco áreas localizadas nos três municípios mais importantes de produção dessa fruta (Vacaria, Fraiburgo e São Joaquím), com as cultivares Gala e Fuji, para iniciar a comparação do Sistema Integrado e o Convencional de produção de maçãs.Em cada local, áreas de 3,4 a 6,4 hectares foram alocadas para cada variedade e sistema de produção, perfazendo um total de 100 ha de área sob avaliação.

Contando com essas bases, foi elaborado um projeto (julho 1998/2002) para comparação dos dois sistemas de produção quanto aos itens apresentados a seguir :

  • a qualidade da fruta;
  • a produtividade das áreas;
  • a incidência de pragas e doenças e distúrbios fisiológicos;
  • os resíduos de pesticidas;
  • as características de conservação das maçãs;
  • as características físico-químicas do solo e a composição da população das invasoras e;
  • a relação custo-benefício.

O acompanhamento das áreas, nos últimos dois ciclos vegetativos (98/99 e 99/2000), exigiu visitas, coletas de amostras e reuniões do grupo de trabalho para análises das condições de manejo da cultura. Estas atividades contaram com a valiosa participação dos técnicos responsáveis dos cinco pomares em estudo. Outras atividades permanentes são: os treinamentos ministrado pelos pesquisadores, que têm sido obrigatórios, e a avaliação do aproveitamento dos técnicos responsáveis pelas áreas de produção.

Neste último ciclo, além dos produtores com área experimental, outros sete introduziram manejos nos setores em produção utilizando como base para decisões as Normas para a Produção Integrada . Desta forma, teve-se no ciclo 1999/2000 no RS e SC, aproximadamente 250 ha de pomares de macieiras em Produção Integrada.

Algumas conclusões dos primeiros anos de trabalho são:

A Produção Integrada de maçãs é um conjunto tecnológico viável para o Brasil, que pode ser estabelecido com maiores vantagens nos pomares com produção e produtividade equilibrada e sem focos graves de pragas e doenças.

A condução dos trabalhos de implementação da Produção Integrada propicia um valioso aprendizado de trabalho conjunto das equipes de pesquisadores e produtores na execução de um pacote tecnológico previamente definido.

Constatam-se diferenças de abordagens no manejo dos 5 pomares em estudo, condições definidas pelos técnicos de cada pomar e caracterizadas pelo uso parcial das tecnologias recomendadas pela pesquisa e adequadas ao estilo e metas de trabalho de cada propriedade.

Verifica-se a necessidade de intensificar ações de pesquisa que alimentem o sistema e que sejam validadas dentro do pacote tecnológico.

Confirma-se a extrema urgência que tem a criação de Estações de Aviso, distribuídas em todas as principais regiões produtoras, e a disponibilização de treinamentos para técnicos que atuem no monitoramento e coleta de dados dos pomares para embasar as ações de manejo do pomar.

Estabelecem-se demandas urgentes da implementação de laboratórios regionais para as análises de resíduos na fruta, análise do solo e de outras partes vegetais, da regulamentação através de portarias do Ministério de Agricultura para a produção e a comercialização de produtos vegetais obtidos da Produção Integrada, bem como da definição e caracterização de empresas Certificadoras de Produção Integrada por uma instituição responsável pelo controle de qualidade no Brasil.

Outras frutas no Brasil

As vantagens antes citadas da Produção Integrada de Frutas (PIF) e sua viabilidade para adoção no Brasil, demostrada pelo trabalho com a maçã, fizeram que Instituições de Pesquisa e de Ensino do país aceitassem e adotassem este sistema de produção como uma alternativa para outras culturas. Assim, estudam-se hoje as Normas para Produção Integrada de uva e manga no Vale de São Francisco, de citros, mamão papaia, coco e uva vinífera e, encontra-se em andamento o programa de Produção Integrada de pêssego no Rio Grande do Sul. O ganho em competitividade que a fruta de Produção Integrada tem, bem como as vantagens quanto a preservação do meio ambiente da saúde humana, fizeram que o Ministério de Agricultura desse alta prioridade as atividades relacionadas com pesquisa e desenvolvimento da Produção Integrada e todo o apoio necessário para as ações de regulamentação e organização da PIF no Brasil.

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Última modificação: 2013-11-13
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