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Mirtilo: Aspectos gerais da cultura

Alexandre Hoffmann

O mirtilo (blueberry, em inglês; arándano, em espanhol) é uma espécie ainda pouco conhecida no Brasil. Sua implantação data da segunda metade da década de 1980, em uma coleção de cultivares na Embrapa Clima Temperado (Pelotas, RS) e a primeira iniciativa comercial no país começou a partir de 1990, em Vacaria (RS). Apesar de ser uma espécie recente em nossas condições, o mirtilo é largamente cultivado em países do Hemisfério Norte, principalmente na Europa e Estados Unidos. Nestas regiões, a espécie tem importância comercial significativa, além de estar havendo uma ampla divulgação da utilização dos frutos como "fonte da longevidade", devido à sua composição nutricional. Estes fatores têm impulsionado o cultivo em regiões não-tradicionais, como a América do Sul, na qual destaca-se o Chile como principal produtor. Muitos destes países beneficiam-se da possibilidade de produção durante a entressafra européia e norte-americana.

O mirtilo pertence à família Ericaceae e é nativo de várias regiões da Europa e dos Estados Unidos. Há muitas espécies de mirtilo, sendo que as principais espécies com expressão comercial são divididas em três grupos, de acordo com o genótipo, hábito de crescimento, tipo de fruto produzido e outras características. As práticas de manejo são diferenciadas para cada um dos grupos, desde a produção de mudas até a colheita e utilização dos frutos. Estes grupos são:

  1. "highbush" (mirtilo gigante), tetraplóide, originário da costa oeste da América do Norte. Sua produção, dentre os demais grupos, é a de melhor qualidade, tanto em tamanho quanto em sabor dos frutos. A principal espécie deste grupo é Vaccinium corymbosum L., ainda que as espécies V. australe e V. darrowi possam ser usadas para fins de melhoramento genético;

  2. "rabbiteye", hexaplóide, originário do sul da América do Norte. Compreende a espécie Vaccinium ashei Reade. Em relação ao grupo anterior, produz frutos de menor tamanho e de menor qualidade. Apresenta maior produção por planta e seus frutos têm uma maior conservação em pós-colheita. Apresenta maior importância comercial em regiões com menor disponibilidade de frio, por causa da sua tolerância a temperaturas mais elevadas e à deficiência hídrica;

  3. "lowbush", diplóide, tem hábito de crescimento rasteiro e produz frutos de pequeno tamanho, cujo destino é a indústria processadora.

A planta de porte arbustivo ou rasteiro e caducifólia. O fruto é uma baga de cor azul escura, de formato achatado, coroada pelos lóbulos persistentes do cálice e com aproximadamente 1 a 2,5 cm de diâmetro e 1,5 a 4 g de peso. Apresenta em seu interior muitas sementes e tem sabor doce- ácido a ácido.

A propagação de mirtilo pode ser realizada por sementes, rebentos ("suckers") e estacas. A propagação por sementes é útil no desenvolvimento de novas variedades, mas se caracteriza por induzir um longo período improdutivo e por produzir plantas diferenciadas da planta matriz em muitas características; o uso de rebentos permite a obtenção de plantas grandes em pequeno número e em tempo relativamente curto. A enxertia, a mergulhia e a propagação por sementes podem ser usadas com propósitos especiais. Em nível comercial, o mirtilo é propagado principalmente por estacas mas este método de propagação proporciona resultados bastante variáveis conforme a espécie e a cultivar Em "rabbiteye", a propagação é preferencialmente realizada por estacas semilenhosas ou herbáceas, uma vez que o enraizamento obtido com estacas lenhosas é baixo.

Adicionalmente, a cultura de tecido pode superar a baixa eficiência dos métodos tradicionais de propagação desta espécie.

O mirtilo prefere solos ácidos (pH 4,0 a 5,2), com elevado teor de matéria orgânica (superior a 5%), boa retenção de umidade e boa drenagem. A exigência em frio hibernal varia de 300 a 1100 horas de frio (com temperaturas menores ou iguais a 7,2°C), conforme a espécie e a cultivar. Os frutos podem ser consumidos "in natura" ou após processamento por congelamento, desidratação, enlatamento ou fabrico de geléias ou licores. As características ornamentais do mirtilo contribuem para que esta seja uma alternativa adicional de utilização.

Há fatores que dificultam a expansão do mirtilo no Brasil, tais como as condições de clima e solo, o crescimento lento da planta, as dificuldades no manejo da colheita e a falta de mudas, devido a dificuldades de propagação em algumas cultivares. Por outro lado, as perspectivas de cultivo no Brasil são promissoras, tanto para consumo interno como para exportação. Para a maior parte das regiões do Sul do Brasil, onde o mirtilo tem maior possibilidade de adaptação, a espécie Vaccinium ashei é a mais promissora.

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Última modificação: 2014-04-24
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