Produção orgânica de morangueiros no Sul do BrasilRosa Maria Valdebenito Sanhueza O morangueiro, cultivado no Rio Grande do Sul, principalmente em propriedades menores de dois ha, exige grande quantidade de mão-de-obra e tem alta rentabilidade sendo, portanto, uma atividade própria da agricultura familiar. No sistema de produção tradicional, em condições de campo, a cultura é afetada por pragas e doenças, as quais são controladas, entre outros métodos, com pesticidas que incluem fungicidas, inseticidas e acaricidas. Este tipo de manejo quando não cumpridas as recomendações técnicas coloca em risco a saúde humana e pode contaminar o ambiente. A produção de morangueiros em culturas protegidas contribui para reduzir o contato da cultura com pragas e patógenos. Visto que a água da chuva e a utilização de irrigação por aspersão aumentam a necessidade de pulverizações na cultura por favorecer a dispersão dos patógenos e por lavar os produtos aplicados. Quando são feitas práticas culturais, tais como adubação equilibrada, eliminações de restos da cultura, irrigação por gotejamento e ventilação do local, podem ser reduzidas as perdas por doenças. A idéia de desenvolver a produção orgânica do morangueiro surgiu em 1996 quando a Embrapa Uva e Vinho atendeu o pedido do produtor José Pasa de Farroupilha, RS, solicitou pesquisa para se obter métodos alternativos para o controle do Mofo cinzento e do ácaro rajado, únicos problemas graves encontrados nas culturas protegidas desta planta. O mofo cinzento, também conhecido como "botritis", ocorre em todas as regiões onde o morangueiro é cultivado e pode afetar culturas como a videira, frutas de clima temperado, hortaliças e invasoras. A doença diminui a produtividade do morangueiro pela redução do número de frutos sadios na colheita e reduz a sua vida de prateleira e comercialização. O controle desta doença inclui, práticas culturais que desfavorecem a multiplicação e dispersão do fungo, bem como o manejo da cultura para diminuir a suscetibilidade desta. As principais recomendações são listadas a seguir:
Controle biológico do mofo cinzentoA pesquisa de biocontrole de B. cinerea em morangueiros tem sido feita em vários países e, para se obter controle, recomendam-se aplicações de produtos para proteger principalmente as flores. Experimentos feitos no Brasil em condições controladas e de campo mostraram que um fungo habitante normal dos tecidos do morangueiro o Gliocladium roseum exerce controle eficiente de B. cinerea (Valdebenito Sanhueza et al, 1995), constatando-se a ocorrência freqüente de estirpes selvagens de G. roseum (GR), com potencial antagônico a B. cinerea. O antagonista G. roseum se utiliza em suspensões aplicadas, semanalmente, na concentração de 106 con/mL. O fungo é multiplicado em sementes esterilizadas de trigo que, depois de colonizadas, serão suspensas em água e a suspensão será filtrada e diluída até atingir a concentração desejada semanalmente. Controle biológico do ácaro rajadoEsta tecnologia consiste na produção de ácaros inimigos naturais do acaro rajado em folhas de feijoeiro e introdução destes organismos nas culturas protegidas para viabilizar o controle biológico da praga. Viabilidade da produção orgânica do morangoA experiência com implementação do controle biológico sugeriu a viabilidade da PO desta cultura. Desta forma a partir de 1997, em parceria com a Emater de Bom Princípio foi iniciada a produção orgânica desta fruta. Ações caracterizadas pelo acompanhamento constante da cultura, a remoção de folhas frutos doentes o uso de fertilidade adequada do solo pela adição de composto, a utilização de biofertilizantes e de calda sulfocálcica cobre e enxofre para o manejo das doenças e pragas se mostraram viáveis para assegurar a produção e rentabilidade deste sistema de produção em culturas protegidas de morangueiros. No Seminário sobre pequenos frutos organizado em Vacaria pela Embrapa Uva e Vinho foram divulgados os excelentes resultados obtidos com este sistema de produção e este fato estimulou a avaliação do sistema em Pinto Bandeira, cujos resultados serão apresentados nesta semana. Mais informaçõesRosa Maria Valdebenito Sanhueza, Fone: (54)3455-8034 |
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