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Tecnologia de Aplicação de Fungicidas

Olavo Roberto Sônego
Lucas da R. Garrido

Tecnologia de aplicação de fungicidas é a utilização de todos os conhecimentos científicos que proporcionem a correta colocação do produto biologicamente ativo no alvo, em quantidade necessária, de forma econômica, com mínimo de contaminação de outras áreas. O crescente aumento do custo dos produtos químicos, da mão de obra e da energia, e a maior preocupação em relação a poluição ambiental, têm realçado a necessidade de uma tecnologia mais acurada na colocação do produto no local correto, bem como, de procedimentos e equipamentos adequados à maior proteção ao trabalho.

Qualidade da aplicação

Para obtenção de um resultado positivo na aplicação de um fungicida, devemos considerar três fatores básicos; Produto, deve ser o mais adequado para o fungo(alvo biológico) a ser controlado: Momento da aplicação, quando o patogeno está mais sensível ao produto; Máquina, produz a aplicação mais adequada, distribuindo o produto de maneira mais uniforme na área a ser protegida. A interação destes três fatores com as condições ambientais vão interferir na eficiência ou não do controle.

Conhecimento do alvo biológico e produto

O conhecimento da biologia do fungo a ser controlado, a escolha do produto e a parte da planta atacada são fatores importantes para se obter maior eficiência no controle deste organismo.

Cobertura

A pulverização deve produzir uma adequada cobertura do alvo. A cobertura nada mais é do que o número de gotas por unidade de área, que na realidade representa o objetivo final da pulverização. A cobertura deve variar com: a) o agente a ser controlado: Cobertura para o controle de fungos(70-100 gotas/cm²) deve ser maior e mais uniforme do que para o controle de inseto(inseto se move); b) Modo de ação do produto: fungicida de contato exige cobertura maior e mais uniforme do que produto sistêmico. Para se conseguir uma boa cobertura da superfície tratada pode-se utilizar alto volume (até o escorrimento), pode ser conseguido usando-se grandes volumes de aplicação (calda diluída e gotas grandes) ou volumes menores, usando-se gotas menores e mais concentradas. Gotas menores tem certas limitações, como a perda por evaporação e deriva. O importante é salientar que o objetivo da pulverização é obter uma cobertura adequada do alvo, independente do volume de calda.

Característica do fungicida a ser utilizado

Algumas características do fungicida tais como capacidade de redistribuição, formulação e dosagem devem ser consideradas no momento da regulagem do pulverizador e da pulverização.

Tomemos como exemplo o míldio(Plasmopara viticola) a principal doença da videira. O agente causal infecta e desenvolve na página inferior das folhas. Caso o fungicida a ser utilizado exerça sua função apenas no local atingido, o alvo obrigatoriamente deve ser a página inferior das folhas. Se o fungicida tem efeito translaminar ou sistêmico o alvo pode ser também a página superior da folha.

A formulação dos fungicidas pode ser pó molhável(PM), suspensão concentrada(SC), concentrado emulsionável(CE) e grânulos dispersáveis em água(GrDa ou WG).

A dosagem dos fungicidas pode ser indicada por concentração(dose por 100 litros) ou em dose por área: assim no primeiro caso, 300g de Dithane por 100 litros de água, no segundo caso, 3 kg de Dithane por hectare. A recomendação por concentração é adequada para aplicações de alto volume, onde há escorrimento da calda, de modo que a quantidade retida nas folhas seja proporcional à concentração da calda, independente do volume aplicado. A vantagem deste sistema é a sua simplicidade, pois não é necessário levar em conta a variação da superfície a ser coberta.

Preparo da calda

O preparo da calda pode ser realizado pela adição direta do produto no tanque, ou através de pré-diluição. Quando são utilizados produtos na formulação líquida, podem ser adicionados diretamente no tanque com a quantidade da água desejada. Para produtos na formulação de pó molhável, é recomendado fazer pré-mistura , seguindo as etapas:

  1. Dissolver o produto em pequena quantidade de água, agitando-se até a completa suspensão do produto;
  2. Despejar a suspensão no tanque, contendo aproximadamente dois terços do volume de água a ser utilizada. Após, completar o volume. Quando usado mais de um produto, deve ser seguida a recomendação para cada produto, individualmente. Em alguns casos, a associação de produtos permite a redução de dosagens dos mesmos.

Equipamento de pulverização

De um modo geral, o pulverizador deverá produzir gotas e direciona-las para o alvo, assim tem que dispor de energia suficiente para produzir o fracionamento da calda em pequenas gotas e imprimir velocidade e direção a essas gotas até o alvo.

Sistema de agitação

Necessário para assegurar que o produto esteja misturado apropriadamente antes de iniciar a pulverização e manter a mistura adequada durante a aplicação.

Sistema de filtragem

Tem as funções de Garantir uniformidade das aplicações; maior capacidade operacional dos pulverizadores; segurança do operador durante o serviço e maior durabilidade das pontas.

Bomba

A função da bomba é pressionar a calda, colocando no sistema a energia que será utilizada para a pulverização.

Regulador de pressão

Basicamente é um divisor de volume, faz com que o volume excedente retorne para o tanque.

Manômetro

Indica a pressão do circuito das pontas de pulverização.

Bicos de pulverização

Os bicos podem ser considerados como a peças mais importantes dos pulverizadores hidráulicos. A seleção e utilização apropriada dos bicos são partes importantes para uma aplicação precisa sem perdas de produto, prejuízos económicos e riscos ambientais.

Pontas de pulverização

Regulam a vazão, o tamanho da gota e a forma do jato, sendo um dos componentes responsáveis pela qualidade da aplicação.

Fatores climáticos

A observação de algumas condições climáticas são fundamentais para iniciar ou paralisar uma aplicação.

  1. Possibilidade de chuva;
  2. Intensidade luminosa; produto pode causar injúria ou fitotoxicidade na folha
  3. Vento: pode causar a deriva do produto. O ideal para pulverização são ventos constantes de 3,2 a 6,5 km/h, capaz de movimentar levemente as folhas;
  4. Temperatura e Umidade relativa: de forma geral, temperaturas acima de 30°C e umidade relativa inferior a 55% são impróprias para à pulverização.

Tempo médio de vida da gota de água a 30°C e 50% de umidade relativa do ar. (Fonte: FAO, 1996).

Tamanho da gota (Micron) Tempo de "vida" da gota(Seg)
200 56
100 14
50 3,5
10 0,16

Cuidados durante o preparo e aplicação dos produtos fitossanitários

  • Nunca fure as embalagens para retirar o produto, use meios e ferramentas adequadas para remover a tampa.

  • Evite a contaminação ambiental - preserve a natureza;
  • Utilizar equipamento de proteção individual - EPI (macacão de PVC, luvas e botas de borracha, óculos protetores e máscara contra eventuais vapores). Em caso de contaminação substituí-lo imediatamente;
  • Não trabalhar sozinho quando manusear produtos tóxicos;
  • Não permitir a presença de crianças e pessoas estranhas ao local de trabalho;
  • Preparar o produto em local fresco e ventilado, nunca ficando a frente do vento;
  • Ler atentamente e seguir as instruções e recomendações indicadas no rótulo dos produtos;
  • Evitar inalação, respingo e contato com os produtos;
  • Não beber, comer ou fumar durante o manuseio e a aplicação dos tratamentos;
  • Preparar somente a quantidade de calda necessária à aplicação a ser consumida numa mesma jornada de trabalho;
  • Aplicar sempre as doses recomendadas:
  • Evitar pulverizar nas horas quentes do dia, contra o vento e em dias de vento forte ou chuvosos;
  • Não aplicar produtos próximos à fonte de água, riachos, lagos, etc;
  • Não desentupir bicos, orifícios, válvulas, tubulações com a boca;
  • Guardar os produtos em embalagens bem fechadas, em locais seguros, fora do alcance de crianças e animais domésticos e afastados de alimentos ou ração animal e distantes de fontes de água;
  • Mantenha o produto em sua embalagem original;
  • Não reutilize embalagens vazias;
  • Em caso de produtos estocados da safra anterior, deve-se utiliza-los primeiramente para não ultrapassar a validade.
  • Observar o intervalo de segurança ou período de carência, que é o intervalo em dias entre o último tratamento e a colheita, comercialização ou consumo.
  • Entrada em lavouras tratadas. Quando não houver orientação especifica no rotulo, é aconselhável observar um período mínimo de 24 horas.

Cuidados com embalagens de agroquímicos

É imprescindível fazer a tríplice lavagem e a inutilização das embalagens, após a utilização dos produtos, não permitindo que possam ser utilizadas para outros fins. É necessário observar a legislação para o descarte de embalagens. As embalagens, após tríplice lavagem, devem ser destinadas a uma central de recolhimento para reciclagem. Tríplice lavagem significa enxaguar três vezes a embalagem vazia, tornando possível a reciclagem do material usado na fabricação da embalagem de produtos fitossanitários.

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Última modificação: 2014-04-14
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