O nematoide-anelado Mesocriconema xenoplax (<1mm) apresenta uma ampla gama de hospedeiros, incluindo várias plantas lenhosas do gênero Prunus como o pessegueiro, a ameixeira, a amendoeira, o damasqueiro a cerejeira, além de outras frutíferas como a videira, a cerejeira e o mirtilo. No entanto, no Brasil, os principais danos são relatados em pomares de pessegueiro associados à síndrome da morte precoce do pessegueiro (Peach Tree Short Life - PTSL).
M. xenoplax é um nematoide ectoparasita que se alimenta das raízes da planta hospedeira, em todas as fases de sua vida. A duração do seu ciclo de vida varia de quatro a oito semanas, dependendo da temperatura, da umidade, do pH, do tipo de solo e da planta hospedeira. Sob temperatura de 24°C, o ciclo de vida é de 30 dias; porém também reproduz-se no inverno, quando a temperatura do solo varia entre 7°C e 13°C.
O parasitismo das raízes de pessegueiro pelo nematoide pode resultar em danos diretos como destruição, atrofiamento e morte do sistema radicular. No entanto, também afeta a dormência e a capacidade da planta de suportar estresses ambientais. Dessa forma, plantas debilitadas na presença de elevadas populações de M. xenoplax, sob condições de déficit ou excesso hídrico, podas drásticas, baixo pH, baixa fertilidade do solo e altas amplitudes térmicas, podem se tornar predispostas à manifestação da PTSL. Os sintomas da Síndrome da morte precoce do pessegueiro incluem, desde a presença de ramos secos até a morte completa da planta. No final da dormência, em pomares em declínio, pode ser observada a ocorrência de plantas com brotação e floração anormais, morte dos brotos, ou mesmo brotação tardia na parte interna da copa e nos ramos mais grossos. Nos ramos de plantas enfermas, observam-se zonas alternadas de tecido sadio e escurecido que atingem a parte interna do lenho. Durante a poda, ou quando esses ramos são cortados, sente-se um odor semelhante ao do vinagre, sinal característico da PTSL. Nesse estádio, em que a planta está muito debilitada, pode-se verificar a presença de perfurações nos ramos, geralmente associados ao ataque de besouros Scolytus spp.
Medidas de manejo no controle do nematoide-anelado devem ser iniciadas já na instalação do pomar, após análise nematológica do solo para implantação das mudas, as quais devem ser livres de qualquer praga. No entanto, em áreas infestadas por fitonematoides, deve-se levar em conta, antes da implantação, quais espécies ocorrem no solo, bem como seus respectivos níveis populacionais. Em casos de níveis populacionais altos no solo, recomenda-se, antes da implantação do pomar, a rotação de culturas por 18 a 24 meses com espécies vegetais más hospedeiras de M. xenoplax e outros nematoides parasitas do pessegueiro, afim de reduzir as populações desses fitoparasitas no solo. Em trabalho conduzido a campo nas nossas condições, o emprego das combinações nabo forrageiro / milheto / aveia branca / milho, aveia branca / mucuna anã / trigo / sorgo e aveia preta / feijão de porco / milheto / nabo forrageiro, por dois anos, resultou em elevados níveis de controle da referida praga no solo. Além disso deve-se considerar que não existem nematicidas com registro de uso no MAPA para a cultura do pessegueiro. Adicionalmente, práticas como a solarização e biofumigação do solo contribuem na supressão do nematoide na área infestada podendo reduzir o tempo de rotação. Na implantação do pomar, o primeiro passo a ser dado é o uso de porta-enxerto resistentes ou tolerantes aos nematoides praga presentes no local. Embora não existam porta-enxertos resistentes / tolerantes ao nematoide, estudos conduzidos em casa de vegetação e de campo tem demostrado menor suscetibilidade de ‘Flordaguard’ a M. xenoplax e maior sobrevivência de plantas a PTSL campo.
Já em pomares estabelecidos, estudos conduzidos nos EUA evidenciam que em áreas com populações acima de 50 M. xenoplax/100cm³ de solo, práticas de manejo devem ser adotadas para assegura o prolongamento da vida dos pessegueiros e a manutenção da produtividade. Práticas agrícolas como calagem, adubação equilibrada, poda conduzida tardiamente, e controle de outras pragas, parecem também refletir na tolerância da planta aos nematoides e a PTSL. Da mesma forma, manutenção das linhas de plantio dos pomares com coberturas verdes antagonistas ou más hospedeiras associada a incorporação de resíduo orgânicos com ação nematicida melhora o vigor das plantas e parece refletir na tolerância da planta aos nematoides.