As plantas apresentam lesões em todos tecidos, de modo amplo ou localizado em uma faixa do parreiral (dependendo da ocorrência do evento). No caso de chuvas de granizo com vento, os danos tendem a se concentrar em uma das faces do dossel (espaldeira). Nas folhas que ainda permanecem nas plantas se observa furos e rasgos irregulares, os quais expõem uma uma borda marrom (oxidação) após o dano. As lesões por impacto do granizo também são facilmente observadas nas bagas e nos sarmentos verdes, que também tornam-se oxidados com o tempo. Portanto, além dos danos mecânicos, o granizo pode causar prejuízos indiretos às plantas em função da redução da superfície fotossintetizante, rompimento da circulação da seiva (danos nos ramos) e o favorecimento à ocorrência de doenças (as lesões são "porta de entrada" para os fungos). As bagas verdes (chumbinho ou ervilha) após o dano tendem a expor uma cicatrização da casca após o dano, porém esta cicatrização não dispõe de elasticidade e pode romper (rachar) com o avanço do ciclo e crescimento da baga, expondo as sementes e depreciando a fruta. Nos sarmentos danificados, as gemas que foram atingidas geralmente tornam-se inativas (não brotam) ou ficam inférteis, comprometendo também a produção do ciclo seguinte.
O granizo ocorre principalmente na primavera, com a combinação de fatores climáticos (umidade do ar elevada, sistemas convectivos de massas de ar e entrada de frentes frias), gerando rápido aquecimento do ar e a consequente formação de nuvens do tipo cumulonimbus. A ocorrência deste evento meteorológico é mais frequente no interior dos continentes (efeito de continentalidade), em latitudes médias (20 a 40°) e nas altitudes mais elevadas, caracterizando locais com maior probabilidade de ocorrência. Portanto, uma das medidas de controle é evitar cultivos nestas regiões com maior risco de ocorrência, sendo uma estratégia indireta de controle. Como estratégia indireta, também recomenda-se o seguro agrícola, principalmente nos locais de maior risco. Como método de controle direto, dispõe-se das coberturas com tela anti-granizo. Além disso, coberturas com plástico tipo ráfia, pelo fato de ser uma malha resistente, podem também exercer uma proteção direta aos danos por granizo.
A recuperação das videiras irá depender do nível de danos, sendo importante o produtor inspecionar rápido as áreas afetadas. Atrasos na inspeção podem comprometer uma avaliação correta, sendo os sintomas camuflados com o crescimento subsequente das plantas. Em perdas próximas de 100%, os produtores devem efetuar uma poda curta (esporão) para formação de novos sarmentos, evitando-se perdas no ciclo seguinte. Se os sarmentos danificados estão verdes, para se obter duas gemas ativas por esporão e necessário podar acima da terceira gema visível. A seguir, deve-se efetuar a aplicação de fungicidas de contato, para a proteção e cicatrização dos ferimentos. Em áreas novas, com plantas em formação, essa repoda retirando os tecidos danificados é muito importante, pois evita futuros problemas no fluxo de seiva pela estrutura permanente da videira (tronco e ramos). Em vinhedos que apresentarem menor intensidade de dano (<40% dos sarmentos e cachos afetados), a recomendação de manejo fica centrada na aplicação de fungicidas de contato, para proteção dos ferimentos. Neste caso, a poda é paliativa e focada na limpeza da área, retirando apenas os brotos mais afetados para haver estímulo de novas brotações para podas seguintes.